Para o psiquiatra forense Talvane Marins de Moraes, ex-diretor da
Polícia Técnica do Rio de Janeiro, a hipótese mais provável é de que o
assassino em massa de Realengo fosse esquizofrênico; um delírio místico
pode tê-lo motivado a praticar o massacre.
A tragédia perpetrada em Realengo, no Rio de Janeiro, por Wellington
Menezes de Oliveira, de 23 anos, lembra ao psiquiatra forense Talvane
Marins de Moraes, ex-diretor da Polícia Técnica fluminense, outro crime
que chocou o País: o caso do “atirador do shopping”. O criminoso em
questão, o ex-estudante de Medicina Mateus da Costa Meira”, matou três
pessoas ao abrir fogo com uma submetralhadora contra a plateia que, em 3
de novembro de 1999, assistia a um filme em cinema do Morumbi Shopping,
em São Paulo.
“O 'atirador do shopping', ficou comprovado, é esquizofrênico. Ainda é
preciso realizar a a 'autópsia psicológica' do atirador de Realengo – ou
seja, buscar informações, e conversar com parentes, amigos e colegas,
para tentar levantar identificar as causas e motivações que o levaram a
praticar o crime –, mas eu diria, numa primeira análise, que o rapaz que
atacou a escola nesta manhã também devia sofrer de esquizofrenia”,
afirma Moraes.
Esquizofrênicos vivem em um mundo à parte. Nos casos mais graves, os
portadores do distúrbio se sentem permanentemente perseguidos e
ameaçados. Há alguns anos, lembra o psiquiatra, um esquizofrênico foi ao
consultório de seu médico, no Rio, e o matou a tiros, descarregando
todas as balas de um revólver. “Ele disse à Polícia que não teve opção,
pois o médico havia implantado um chip em seu cérebro e monitorava seus
movimentos. O detalhe é que ele realmente acreditava naquela história”,
diz Moraes.
Assim como no caso do chip, o massacre de Realengo foi premeditado. Para
o psiquiatra forense, Wellington não estava sob efeito de drogas ou era
portador de grave distúrbio mental que comprometesse seu raciocínio.
Tanto é que, segundo relatos de testemunhas, teria dito ao segurança da
escola que iria dar uma palestra no local e, depois, solicitou seu
histórico escolar na unidade a uma funcionária. “Se estivesse drogado ou
fora de si, o rapaz já teria começado a matança pelo segurança. Ele
executava um plano, sabia o que estava fazendo, e estava munido de uma
ira muito forte”, assinala o especialista.
Por que o atirador deu preferência às meninas, matando dez alunas e um
garoto? Uma hipótese, segundo Moraes, é de um delírio místico, até
porque Wellington teria abraçado o islamismo. Com base em informações
sobre atos de violência contra mulheres no mundo muçulmano, ele poderia
ter definido o gênero prioritário de seus jovens alvos. “Vítimas de
delírios místicos acreditam que falam com Deus, ouvem vozes e
convocações 'divinas' e, por vezes, acreditam que são, elas próprias,
divindades”, observa Moraes.
O psiquiatra forense não tem a menor dúvida de que o assassino em massa
do Realengo foi influenciado, também, por notícias sobre outros
massacres, como os de Columbine e Virginia Tech, nos Estados Unidos.
Esse fenômeno, aliás, é comprovado cientificamente, como destaca Moares.
“Nos anos 1970, um estudo acadêmico constatou uma “febre” de suicídios
na Ponte Rio-Niterói após a divulgação do primeiro caso, de um homem que
pulou do vão central”, conta ele. “Como o mundo 'diminuiu', com o
notável avanço das telecomunicações, esse fator de risco se torna mais
preocupante.”
Fonte: Púlpito Cristão

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